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A coordenadora do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade
Federal do Acre (Ufac) e doutora em Biologia Molecular e Celular,
Rusleyd Maria Magalhães Abreu, participou recentemente do XI Congresso
Brasileiro de Biologia Celular e trouxe para Acre uma notícia
inesperada para médicos, professores, universitários e toda a
sociedade: pesquisadores constataram a existência da próstata
feminina.
A
próstata feminina já havia sido descrita por uma equipe de
pesquisadores, por volta de 1950, que acreditavam que ela não possuía
expressão fisiológica, teoria derrubada com os resultados apresentados
este ano.
A
constatação foi feita por um grupo de pesquisadores da Universidade de
Campinas (Unicamp) e da Universidade de São Paulo (Unesp) de São José
de Rio Preto (Hernandes Carvalho, Sebastião Taboga e Fernanda Santos) e
apresentada ao mundo durante o congresso, ocorrido entre os dias 16 e 19
de julho, em Porto Alegre.
Até
então, a próstata fazia parte apenas do aparelho reprodutor masculino.
No homem, uma das funções da glândula é formar o sêmen, facilitando
a locomoção do espermatozóide.
PRÓSTATA
FEMININA É 20% MENOR DO QUE A MASCULINA
- Segundo Rusleyd, a próstata feminina tem todas as características da
glândula masculina, porém, é 20% menor. Por enquanto só foi
detectada uma função no corpo da mulher, que é a da “ejaculação
feminina”, fato que a torna análoga à masculina.
“Essa
descoberta é algo muito recente e está causando surpresa entre a
classe médica e a sociedade. Quando soubemos da pesquisa durante o
congresso também ficamos surpresos, foi uma revolução. O fato é que
existe próstata na mulher e foi descoberta por pesquisadores
brasileiros”, comenta Rusleyd.
ACHADO
FOI POSSÍVEL COM ANÁLISE DE CÉLULAS CANCEROSAS
- Durante o congresso, os debatedores Hernandes Carvalho e Sebastião
Roberto Taboga, ambos da Unicamp, falaram sobre o início do estudo e os
resultados obtidos. A pesquisa teve início quando detectou-se
casualmente em determinados cânceres células com o aspecto da próstata
masculina.
Rusleyd
explica que os pesquisadores passaram a procurar materiais celulares
semelhantes através de análises morfológicas e citoquímicas com
microscopia óptica e eletrônica em órgãos do aparelho reprodutor
feminino com a intenção de localizar a glândula. Os mesmos estudos
também foram realizados em uma espécie de roedor do deserto, o gerbilo.
“Ninguém
esperava que pudesse existir a glândula no aparelho reprodutor
feminino. Tudo é muito recente e pouco divulgado. Estão em andamento
estudos mais avançados para o melhor conhecimento da próstata feminina
e suas funções no corpo da mulher”, comenta Rusleyd.
Ejaculação
- Segundo
ela, a glândula se localiza próxima à bexiga e apresenta células
semelhantes à da próstata masculina. Na mulher, a função é secretar
um líquido que auxilia na “ejaculação feminina”.
A
única desvantagem da próstata feminina descoberta até agora é que
ela é mais uma glândula causadora de câncer. Os cânceres
desenvolvidos nela apresentam maior incidência em mulheres com idade
entre 70 e 80 anos.
“No
homem ela é o maior índice de câncer, nas mulheres ainda não se sabe
por que não trabalhávamos com a hipótese de câncer de próstata
feminino. É possível que tenha havido casos não identificados de cânceres
dessa natureza. Já estão sendo estudados meios de combate à doença”,
diz Rusleyd.
(Jornal
Página 20, 14.08.2002)
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