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Artigo apresenta índices para monitorar incêndios florestais no AC

publicado: 04/02/2020 16h42, última modificação: 04/02/2020 16h43
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O professor da Ufac, Isaac Dayan Bastos da Silva, publicou artigo na revista científica internacional “Applied Soft Computing”. Intitulado “A wildfire Warning System Applied to the State of Acre in the Brazilian Amazon” (Sistema de alerta de incêndio aplicado ao Estado do Acre na Amazônia brasileira), o trabalho é fruto da tese de doutorado do professor e visa obter um novo índice para auxiliar no monitoramento de incêndios florestais.

No artigo, o professor apresenta um mapa de alerta dinâmico que combina informações meteorológicas, possibilitando uma simulação de cenários. “Chamamos de alerta de incêndios florestais, que combina o risco e o perigo de incêndio, dois índices consolidados na literatura da engenharia florestal”, disse.

Segundo ele, foi preciso fazer uma definição de risco e perigo de incêndio. O perigo de incêndio está ligado a questões climáticas, com fatores como umidade, precipitação, dentre outros. E o risco de incêndio é relacionado mais a condições físicas, como quantidade de material orgânico no solo ou presença de pessoas na região. “O mais inovador no trabalho é a combinação de parâmetros climáticos, físicos e a geração de um novo índice único que varia no espaço e no tempo”, explicou

O modelo matemático aplicado pelo professor utiliza aprendizado de máquina para gerar risco e perigo de incêndios florestais no Acre e um alerta para auxiliar o poder público na tomada de decisões. “Trabalhamos com focos de calor no mapa, indicando a ocorrência ou não do fenômeno”, contou. “Os focos de calor são mais utilizados na literatura e mais fáceis de medir, contando com dados em tempo quase real fornecidos pelo Inpe [Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais].” 

Isaac Dayan Bastos da Silva ressaltou que a escolha da palavra “alerta” foi intencional. “É como se eu quisesse dar um alerta para a população tomar medidas de contenção de incêndios florestais, de defesa da nossa biodiversidade”, afirmou. “É preciso ter índices, ferramentas para auxiliar o poder público na tomada de decisão para combater incêndios na floresta.” 

Ele também destacou que este foi o primeiro modelo matemático utilizado para fazer simulação de cenários voltado para o Acre. “Conseguimos, a partir desse aprendizado, simular cenários para 2020, de como o alerta pode se propagar, como vai se desenhar e quais áreas podem ser priorizadas com o alerta maior; abre-se um leque infinito de possibilidades.”

O artigo foi financiado com recursos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Ufac.