Integração de métodos potenciais, sísmicos e petrofísica de perfis para o estudo cronoestratigráfico da Bacia do Acre
A Bacia do Acre, com aproximadamente 230.000 km², situa-se entre o limite ocidental da Plataforma Sul-Americana e a Cordilheira Andina. Esta bacia está limitada a leste e sudeste pelo Arco de Iquitos; a sul, pelo Escudo Brasileiro; e a oeste e noroeste, estende-se pelo território peruano, com o nome de Bacia Pastaza, onde se acha limitada pela Cordilheira Oriental Andina. Na porção que ocorre no Estado do Acre, a espessura dos sedimentos não é tão expressiva como na área subandina, onde, além da grande espessura, predominam sedimentos marinhos, ao contrário da Bacia do Acre, onde predominam sedimentos continentais. Inicialmente, a bacia se comportou como marginal e pericratônica, com áreas-fonte de sedimentos localizadas a leste e atingindo maior profundidade de sedimentação na parte oeste (Oliveira, 1994). Posteriormente, quando do soerguimento da Cordilheira Oriental Andina, a sedimentação adquiriu caráter continental, com a deposição de pacotes argilo-arenosos relativamente espessos. Esses eventos epirogenéticos (Movimentos que levam à formação de montanhas) estão representados por uma subsidência geral na bacia, seguida de transgressões (Quando o mar avança sobre continentes) marinhas vindas de duas direções opostas (Wanderley Filho, 1991). A Bacia do Acre está localizada na parte norte do Estado do Acre e na extremidade oeste do Estado do Amazonas. É conhecida por sua diversidade geológica e por seus recursos naturais. O preenchimento da bacia pode ser estudado a partir de perfurações de poços que auxiliam na identificação das sequências paleozoicas encontradas somente em subsuperfície, e, através de poços e afloramentos, é possível a análise das sequências mesozoicas e cenozoicas expostas e afetadas pela formação da Cordilheira dos Andes. Os ambientes sedimentares variam espacial e temporalmente entre depósitos continentais, costeiros e marinhos. A história geológica da bacia tem natureza complexa, devido à sua gênese, preenchimento, deformações, mudanças paleoambientais, paleoclimas e ao registro fossilífero diverso. A carta estratigráfica atual que norteia o conhecimento geológico da bacia é de Cunha (2007). Posteriormente a esta data, já foram realizados mapeamentos de geologia de superfície e subsuperfície, levantamentos sísmicos de reflexão, gravimétricos, magnetométricos, aerofotogramétricos e com imagens de radar, os quais contribuem para a evolução do conhecimento geológico da bacia, embora ainda reste muito a fazer. Na busca por petróleo e gás, a bacia do Acre foi explorada em períodos distintos: meados da década de 50 e, posteriormente, na década de 80. Mais recentemente, com o Plano Plurianual de Estudos de Geologia e Geofísica da ANP (PPA), realizou-se o último levantamento exploratório com métodos potenciais e sísmicos, além da perfuração de poços pioneiros e estratigráficos. A subsuperfície da bacia do Acre é pouco estudada através do processamento e interpretação dos dados gravimétricos, podendo citar alguns estudos (Kearey, Brooks, Hill, 2009). A área de estudo que é a bacia do Acre é a região oeste, com maior potencial de indicação de hidrocarbonetos, com alta densidade de levantamentos geofísicos. Embora alguns autores tenham trabalhado para compreender a geologia e litoestratigrafia da bacia do Acre (Mason e Caputo, 1940), e outros tenham publicado sobre a tectônica da bacia (Caputo, 2014), ainda se faz necessário conhecer melhor a bacia a partir dos dados atuais disponíveis. Este projeto planeja-se para dar subsídios e contribuições para a natureza cronoestratigráfica com base na interpretação de dados potenciais, sísmicos e perfis de poços, permitindo investigar a extensão das camadas sedimentares e estruturas profundas de uma bacia e caracterizar o seu sistema petrolífero.