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Artigo aborda rejeição do Antropoceno como tempo geológico
O professor Samuel Rodrigues Ribeiro, do Departamento de Geografia da Ufac, publicou, em inglês, artigo na revista “Anthropocene” (vol. 53, março de 2026), sobre as razões da rejeição do Antropoceno como nova época do tempo geológico.
O trabalho aborda a decisão de não formalizar o Antropoceno como época geológica, discutindo seus fundamentos e implicações no contexto do debate científico contemporâneo sobre mudanças ambientais, temporalidade geológica e relações entre sociedade e planeta.
Numa história da Terra estimada em cerca de 4,5 bilhões de anos, essa proposta buscava reconhecer uma nova época geológica que sucederia ao Holoceno, com início situado em torno de meados do século 20, aproximadamente 1950. Entre as principais evidências mobilizadas para sustentar essa proposição esteve o registro de radionuclídeos artificiais decorrentes dos testes nucleares da era termonuclear.
Ao longo de mais de uma década, o Grupo de Trabalho do Antropoceno reuniu argumentos e evidências destinados a sustentar a formalização dessa nova época, tomando como referência os critérios estratigráficos internacionais exigidos para o estabelecimento de uma Seção e Ponto Estratotípicos de Limite Global, isto é, o ponto físico que marca formalmente o início de uma unidade da Escala do Tempo Geológico.
“Em 2024, contudo, essa formalização foi rejeitada no âmbito das instâncias vinculadas à Comissão Internacional de Estratigrafia. Desse modo, do ponto de vista formal, continuamos situados no Holoceno, mais precisamente na Idade Meghalaiana”, explicou Samuel Rodrigues Ribeiro.
Segundo ele, nesse contexto o artigo se destaca por examinar diretamente os fundamentos cronoestratigráficos dessa decisão, à luz dos critérios formais empregados para o reconhecimento de unidades da Escala do Tempo Geológico. “Esse trabalho oferece uma contribuição objetiva para a compreensão técnica de uma decisão científica de alcance internacional e conferindo visibilidade à produção acadêmica da Ufac em uma temática de elevada relevância científica global”, concluiu Ribeiro.