Integração de métodos potenciais, sísmicos e petrofísica de perfis para o estudo cronoestratigráfico da Bacia do Acre

Colaboradores: Bianca Santos, Fernando de Moraes, Israel Herôncio, Jairo Batista, Victor Carreira
Com os novos levantamentos geofísicos, tais como, sísmicos, gravimétrico, magnetométricos e conhecimentos geológicos e geoquímicos bem como novas metodologias de petrofísica de perfis, algumas lacunas de estudos estratigráficos da Bacia do Acre podem ser explicadas com mais detalhes, de forma que se alcance uma atualização da Carta Estratigráfica da Bacia do Acre. A partir das integrações dos dados potenciais e sísmicos, melhorar a compreensão dos sistemas deposicionais, entendimento dos controles tectônicos e sedimentológicos, com o uso de modelos geológicos da bacia, além do refinamento das zonas magnéticas e feições sismoestratigráficas. Com os perfis geofísicos de poços serão criados modelos sísmicos sintéticos para amarração poço-sísmica para fins de correlações entre os poços da bacia, bem como contribuir para o entendimento do seu sistema petrolífero.

A Bacia do Acre, com aproximadamente 230.000 km², situa-se entre o limite ocidental da Plataforma Sul-Americana e a Cordilheira Andina. Esta bacia está limitada a leste e sudeste pelo Arco de Iquitos; a sul, pelo Escudo Brasileiro; e a oeste e noroeste, estende-se pelo território peruano, com o nome de Bacia Pastaza, onde se acha limitada pela Cordilheira Oriental Andina. Na porção que ocorre no Estado do Acre, a espessura dos sedimentos não é tão expressiva como na área subandina, onde, além da grande espessura, predominam sedimentos marinhos, ao contrário da Bacia do Acre, onde predominam sedimentos continentais. Inicialmente, a bacia se comportou como marginal e pericratônica, com áreas-fonte de sedimentos localizadas a leste e atingindo maior profundidade de sedimentação na parte oeste (Oliveira, 1994). Posteriormente, quando do soerguimento da Cordilheira Oriental Andina, a sedimentação adquiriu caráter continental, com a deposição de pacotes argilo-arenosos relativamente espessos. Esses eventos epirogenéticos (Movimentos que levam à formação de montanhas) estão representados por uma subsidência geral na bacia, seguida de transgressões (Quando o mar avança sobre continentes) marinhas vindas de duas direções opostas (Wanderley Filho, 1991). A Bacia do Acre está localizada na parte norte do Estado do Acre e na extremidade oeste do Estado do Amazonas. É conhecida por sua diversidade geológica e por seus recursos naturais. O preenchimento da bacia pode ser estudado a partir de perfurações de poços que auxiliam na identificação das sequências paleozoicas encontradas somente em subsuperfície, e, através de poços e afloramentos, é possível a análise das sequências mesozoicas e cenozoicas expostas e afetadas pela formação da Cordilheira dos Andes. Os ambientes sedimentares variam espacial e temporalmente entre depósitos continentais, costeiros e marinhos. A história geológica da bacia tem natureza complexa, devido à sua gênese, preenchimento, deformações, mudanças paleoambientais, paleoclimas e ao registro fossilífero diverso. A carta estratigráfica atual que norteia o conhecimento geológico da bacia é de Cunha (2007). Posteriormente a esta data, já foram realizados mapeamentos de geologia de superfície e subsuperfície, levantamentos sísmicos de reflexão, gravimétricos, magnetométricos, aerofotogramétricos e com imagens de radar, os quais contribuem para a evolução do conhecimento geológico da bacia, embora ainda reste muito a fazer. Na busca por petróleo e gás, a bacia do Acre foi explorada em períodos distintos: meados da década de 50 e, posteriormente, na década de 80. Mais recentemente, com o Plano Plurianual de Estudos de Geologia e Geofísica da ANP (PPA), realizou-se o último levantamento exploratório com métodos potenciais e sísmicos, além da perfuração de poços pioneiros e estratigráficos. A subsuperfície da bacia do Acre é pouco estudada através do processamento e interpretação dos dados gravimétricos, podendo citar alguns estudos (Kearey, Brooks, Hill, 2009). A área de estudo que é a bacia do Acre é a região oeste, com maior potencial de indicação de hidrocarbonetos, com alta densidade de levantamentos geofísicos. Embora alguns autores tenham trabalhado para compreender a geologia e litoestratigrafia da bacia do Acre (Mason e Caputo, 1940), e outros tenham publicado sobre a tectônica da bacia (Caputo, 2014), ainda se faz necessário conhecer melhor a bacia a partir dos dados atuais disponíveis. Este projeto planeja-se para dar subsídios e contribuições para a natureza cronoestratigráfica com base na interpretação de dados potenciais, sísmicos e perfis de poços, permitindo investigar a extensão das camadas sedimentares e estruturas profundas de uma bacia e caracterizar o seu sistema petrolífero.