Pesquisa

Estudo associa câncer de mama a sedentarismo e alimentação

publicado: 27/08/2019 14h47, última modificação: 27/08/2019 16h16
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Pesquisa desenvolvida por meio do mestrado em Ciências da Saúde na Amazônia Ocidental, da Ufac, pretende avaliar a relação entre sedentarismo, nutrição e aparecimento de câncer de mama em mulheres com mais de 40 anos no Estado do Acre. O estudo é conduzido pelas mestrandas Carina Hechenberger e Ramyla Brilhante, com orientação do professor Miguel Junior Sordi Bortolini

O projeto de pesquisa “Avaliação do Nível de Atividade Física, Estado Nutricional e Qualidade de Vida de Mulheres Atendidas no Centro de Controle em Oncologia do Acre (Cecon)” foi apresentado ao programa em 2018; atualmente se encontra na fase de coleta de dados, através da aplicação de questionários a usuárias do serviço de saúde.

“São 13 tipos diferentes de câncer altamente influenciados pelo sedentarismo; desses, o que sofre maior impacto é o de mama”, destaca Miguel Bortolini. “Se você é uma pessoa ativa, a probabilidade de desenvolver câncer de mama reduz drasticamente.” 

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de mama é a segunda neoplasia mais comum em todo o mundo, com 1,7 milhões de casos. A estimativa é que para o biênio 2018-2019, somente no Brasil, 60 mil novos casos entre mulheres sejam confirmados para cada ano — um risco estimado de 57 casos a cada 100 mil brasileiras. 

“Fatores genético-hereditários são responsáveis por até 10% desses casos de câncer de mama. Os comportamentais e ambientais, como alimentação e atividade física, respondem por até 30% dos casos”, enfatiza Carina Hechenberger. “Diferente do fator genético, eu posso interferir diretamente sobre o comportamento da pessoa. O impacto disso é enorme.”

A relação entre inatividade física e sedentarismo com pacientes do Cecon vai ser analisada a partir de universo mínimo de 360 mulheres, conforme indicadores sociodemográficos, histórico-familiar, nutricional e de qualidade de vida. Tudo a partir de questionários referendados internacionalmente. O objetivo é investigar se, pelo nível elevado da população com sobrepeso e obesidade no Acre, há também uma maior influência de diagnóstico positivo para esse tipo de câncer.

“Temos aqui uma alimentação muito típica e peculiar da nossa região e que, portanto, não será integralmente contemplada por pesquisas de outros lugares do país ou do mundo”, avalia Ramyla Brilhante. “O Cecon é um centro de referência que recebe mulheres de todas as partes do Estado. Assim, ao fim da pesquisa, nós vamos poder comparar padrões que temos aqui e chegar a uma conclusão mais fiel à nossa realidade.”

Participação e recomendação 

Além do trabalho das mestrandas, a pesquisa conta com apoio de voluntárias do curso de Nutrição da Ufac. É o caso da estudante do 5º período, Eduarda Araújo. “Essa integração com outros profissionais é muito importante para o aluno de graduação. A oportunidade que eu estou tendo de trabalhar com uma enfermeira e uma nutricionista formada, com atendimento ao público, é sensacional”, salienta a acadêmica. “É gratificante saber que, a partir do meu trabalho, é possível transformar a vida de muitas mulheres.” 

A coleta de dados para o projeto de pesquisa “Avaliação do Nível de Atividade Física, Estado Nutricional e Qualidade de Vida de Mulheres Atendidas no Centro de Controle em Oncologia do Acre (Cecon)” segue até outubro. Mulheres interessadas em participar do projeto podem procurar o Cecon, de segunda a sexta-feira, pela manhã e à tarde.

Segundo Miguel Bortolini, ainda não é uma realidade a realização de exercícios regulares com mulheres com câncer no Estado do Acre, apesar de ser fundamental. “Para evitar o câncer de mama, é necessário realizar de 150 a 300 minutos de exercícios moderados por semana ou de 75 a 150 minutos de exercícios vigorosos por semana”, recomenda. “Além disso, é bom realizar duas sessões por semana de exercícios resistidos, como musculação; não se deve esperar a doença se podemos preveni-la.”