O Projeto Afrocientista no Ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana com Estudantes do Ensino Médio
Sabe-se que durante longos anos, desde o momento de organização do movimento negro brasileiro, a educação e o direito a educação democrática tem sido uma das principais motivações de lutas de lideranças negras. Isto se dá em razão do trágico histórico de acesso da população negra a uma educação formal e ao racismo estrutural e institucional espalhado nas estruturas da sociedade brasileira. Partindo deste contexto, esta pesquisa apresenta e analisa o Projeto Afrocientista, enquanto parte da política pública de promoção de igualdade racial e associado ao Ensino de História para a implementação do Ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana com estudantes da Educação Básica do Ensino Médio. Tendo como problema central o questionamento: De que maneira, através do Projeto Afrocientista, é possível articular o Ensino de História ao Ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana? A justificativa desta pesquisa ancora-se na relevância de se discutir as temáticas ligadas ao Ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana com estudantes da Educação Básica, pensando uma educação mais libertadora e democrática. O objetivo geral desta pesquisa é articular o Ensino de História ao Ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana por meio do Projeto Afrocientista com foco em alunas(os) da Educação Básica do Ensino Médio. A metodologia adotada se estende na área das pesquisas de cunho qualitativo com fins de análise, tendo como suporte as fontes documentais do Projeto Afrocientista (como os Projetos Institucionais e Planos de Trabalho), e o Currículo de Referência Único do Acre do Ensino Médio, de História do ano de 2025. Para aporte teórico utilizou-se de Nilma Lino Gomes (2017), que apresenta o Movimento Negro Educador como importante agente emancipador e educacional para a sociedade; Chimamanda Ngozi Adiche (2019), que apresenta os perigos de um única história contada, o que reverbera no imaginário social de toda uma sociedade; Sales Augusto dos Santos (2010), que nos expõe a política pública de promoção de igualdade racial; Thatiany Alves de Lima Silva, Silvani dos Santos Valentim, Gabriela Pereira Nunes dos Santos e Deborah Terezinha Conceição (2022) que apresentam o histórico do Projeto Afrocientista desde a sua criação; Ana Maria Monteiro (2007), nossa referência para discutir o Ensino de História; e Miguel Arroyo (2013) que nos permite análisar o Currículo de Referência Único do Acre do Ensino Médio de História (2025) enquanto um campo de poder, mas capaz de transgredi-lo em conformidade com o discutido por Flávia Rodrigues Lima da Rocha e Paulo Vinicius Baptista Silva (2022) e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e Ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana (2004). Os resultados parciais possibilitam compreender de que forma é possível articular o Projeto Afrocientista no Ensino de História do Ensino Médio, considerando as competências, habilidades e objetos de conhecimento apontados no próprio currículo, sem que se tenha que criar novos objetos (apesar de haver tal necessidade). A partir das rodas de conversa e oficinas de saberes do projeto é possível tratar dos conteúdos abordados nas 3 séries do nível de ensino já citado acima.
