Entre silêncios e resistências: Ensino de História e experiências pedagógicas frente à distorção idade-série em Porto Acre

Orientadora: Prof.ª Dr.ª Flávia Rodrigues Lima da Rocha

Esta pesquisa analisa as experiências pedagógicas no Ensino de História com estudantes em situação de distorção idade-série, nos Anos Finais do Ensino Fundamental da rede estadual do Acre, em duas escolas do município de Porto Acre, no período de 2024 a 2025. A temática se justifica por estar atravessada por desigualdades sociais e raciais historicamente produzidas, que impactam as trajetórias escolares de estudantes, especialmente da zona rural, vivenciadas no contexto familiar da autora e observadas em sua trajetória docente. O objetivo geral é compreender de que maneira as práticas e os discursos pedagógicos no Ensino de História podem contribuir para a permanência e a aprendizagem de estudantes em distorção idade-série. Especificamente, busca-se: identificar os discursos presentes no currículo do programa estadual de correção de fluxo Aprender é o Caminho; compreender os fatores que contribuem para a distorção idade-série no município; e propor uma intervenção pedagógica pautada em metodologias mais inclusivas e sensíveis às realidades dos estudantes. A metodologia adotada é quantiqualitativo, de caráter interpretativo e crítico, utilizando análise documental de legislações educacionais, diretrizes curriculares, planos de curso e documentos institucionais da Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Acre, entrevistas semiestruturadas com professores, gestores e alunos, além do desenvolvimento de uma proposta de intervenção pedagógica. Esta intervenção foi materializada por meio de oficinas e da realização de um salão histórico-literário, que articularam História e Literatura como estratégias para a valorização das memórias, das experiências de vida e das identidades dos estudantes em distorção idade-série. O referencial teórico inclui autores como Paulo Freire (1967; 1996), Eni Orlandi (2008), Aníbal Quijano (2005), Bárbara Carine (2023), Flávia Rocha (2022), Geórgia Lima (2023), Erinaldo Cavalcanti (2018) e Jorge Larrosa (2019), articulando conceitos como discurso, experiência, colonialidade do saber e Bem Viver. Os resultados apontam que a distorção idade-série não se configura apenas como um descompasso entre idade e série, mas como expressão de desigualdades históricas, sociais e raciais, ao mesmo tempo em que evidenciam experiências docentes e discentes marcadas por resistência e compromisso com práticas pedagógicas que reconhecem os estudantes como sujeitos históricos e protagonistas de suas trajetórias escolares. 

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