Artes visuais negras: artistas e identidade
O presente documento sintetiza o plano de trabalho para a execução do Grupo de Estudos intitulado “Artes Visuais Negras: Artistas e Identidade”, idealizado e coordenado por José Lucas da Costa Costa. A iniciativa está vinculada diretamente à Universidade Federal do Acre (UFAC), articulada por meio do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI) e do Programa de Educação Tutorial (PET) na linha de Educação Antirracista. O projeto se configura como uma ação afirmativa de enfrentamento ao racismo estrutural e epistêmico no ambiente universitário e escolar.
A proposta nasce do questionamento crítico sobre o papel da arte na luta antirracista e da necessidade de investigar as intersecções entre estética, negritude e identidade. O embasamento conceitual apoia-se fortemente nas formulações do antropólogo Kabengele Munanga (2019), o qual postula que a legitimação de uma "Arte Afro-Brasileira" ultrapassa a mera origem fenotípica ou étnica do artista. Ela reside, fundamentalmente, na incorporação intencional de elementos estéticos, iconográficos e temáticos de matriz africana. Dessa forma, as manifestações visuais são tratadas não como meros objetos de contemplação, mas como repositórios de memória, resistência política e afirmação existencial da população negra frente ao histórico apagamento eurocêntrico.
O objetivo geral do grupo de estudos foca na compreensão ampla das dinâmicas que conectam as artes visuais às discussões raciais contemporâneas, viabilizando o mapeamento de conceitos-chave e a visibilidade de artistas negros. Para alcançar esse propósito, delineou-se três objetivos específicos: primeiramente, explorar os modos operandi através dos quais os produtores visuais negros utilizam seus acervos para canalizar vivências cotidianas, traumas coloniais e ancestralidade; em segundo lugar, analisar como o consumo e a difusão dessas obras operam na restauração da autoestima e na consolidação do orgulho identitário coletivo; e, por fim, debater o estatuto da arte enquanto ferramenta de ativismo, denúncia social e transformação da realidade. A arquitetura pedagógica do projeto é sustentada por uma tríade bibliográfica de relevância internacional e nacional.
O primeiro bloco conceitual utiliza três capítulos da obra histórica O Quilombismo, de Abdias do Nascimento, para destrinchar os conceitos de teatro experimental, artes plásticas e expressões rítmicas negras.
O segundo bloco introduz a perspectiva da psicologia social e do colonialismo por meio do clássico capítulo "A experiência vivida do negro", extraído de Pele Negra, Máscaras Brancas, de Frantz Fanon, problematizando os impactos da iconografia colonial na psique do indivíduo racializado.
O encerramento teórico utiliza uma tradução livre inédita de trechos do livro Art on my Mind: Visual Politics, escrito pela intelectual feminista negra bell hooks, fornecendo subsídios sobre política visual contemporânea.