Moda Afro-Brasileira Como Reafirmação Política
O Nosso estudo tem como objetivo compreender a moda negra no Brasil como uma tecnologia social, uma forma de identidade, resistência, expressão política e valorização da ancestralidade. Para além da aparência e do consumo, entendemos a moda como uma ferramenta de comunicação e transformação social, por meio da qual os corpos negros expressam suas histórias, culturas e formas de resistência. Historicamente, os padrões estéticos eurocêntricos contribuíram para a marginalização da beleza negra, reforçando estereótipos racistas e apagando as contribuições de pensadores, artistas e criadores negros. Nesse contexto, a moda negra surge como uma forma de questionar esses padrões, valorizar a cultura afro-brasileira e reivindicar o reconhecimento das identidades negras.
As roupas, os cabelos naturais, as tranças e os símbolos presentes no vestuário são expressões de ancestralidade, pertencimento e afirmação política. Assim, valorizar a própria estética representa um ato de resistência, fortalecimento da autoestima e enfrentamento ao racismo. A fundamentação teórica do trabalho dialoga com o livro O Movimento Negro Educador, de Nilma Lino Gomes (2017), especialmente o capítulo 4, que compreende o Movimento Negro como produtor de conhecimentos e agente educativo na sociedade brasileira. Essa perspectiva nos ajuda a entender que o corpo, o cabelo crespo e a beleza negra também produzem saberes e contribuem para a construção de identidades e para a luta contra o racismo. Também utilizamos os estudos de Maria do Carmo Paulino dos Santos e Cláudia Regina Garcia Vicentini (2020), sobre o vestir como ação política, e o conceito de modativismo, de Carol Barreto (2024), que relaciona moda e ativismo social. Essas contribuições permitem compreender a moda negra como uma prática que ultrapassa a estética, envolvendo memória, educação, valorização cultural e luta por direitos.
Como resultados esperados, buscamos questionar os padrões estéticos eurocêntricos, especialmente no ambiente educacional, promovendo o reconhecimento da ancestralidade e da indumentária negra como territórios legítimos de produção de conhecimento e resistência. Portanto, compreendemos que a moda negra não é apenas uma questão de estilo, mas também uma forma de preservar memórias, construir novas narrativas e transformar a sociedade. O corpo negro é um território de resistência, memória e afirmação identitária. Antes mesmo de qualquer tecido tocar a pele, ele já comunica ancestralidade, dignidade, liberdade e luta política.
PRIMEIRO ENCONTRO 05.09.2026

SEGUNDO ENCONTRO 11.10.2026
